domingo, 13 de junho de 2010

SOLA ESCRIPTURA - BOLETIM - 13.06.10

Essa expressão latina foi usada por Martinho Lutero, principal articulador da Reforma Protestante, para afirmar a autoridade da Bíblia. A Igreja tinha perdido a essência de buscar entendimento e crescimento espiritual na escritura. Ao contrário, esse conhecimento era negado à maioria e passado pelos padres como lhes convinha. Assim eles manipulavam o povo tornando-os cativos das convicções da instituição. Martinho Lutero passou a defender que cada crente deveria desenvolver sua relação particular com a voz de Deus através da Bíblia, para que ela fosse “lâmpada para os pés e luz para o caminhar” (Sl. 119.105); Lutero também defendia que estimulando a leitura bíblica conseguiria fazer com que o povo conhecesse mais a Jesus: a verdade que liberta (Jo. 8.32).

A Palavra de Deus é a nossa principal fonte de autoridade, pois ela representa a voz revelada de Deus. Ela é “inspirada por Deus e apta para discernir os desejos do coração” (2Tm. 3.16). O nosso coração é “enganoso e desesperadamente corrupto” (Jr. 17.9), por isso não devemos confiar muito no que ele diz, pois podemos estar movidos pela emoção e por vezes irmos de encontro à vontade de Deus. As experiências e idéias pessoais são importantes, porém muitas vezes podem ser fontes poderosas na difusão de heresias. O apóstolo Paulo diz que se até um anjo do céu viesse pessoalmente pregando outra forma de doutrina deveria ser questionado em sua identidade e considerado maldito (Gl. 1.8).

Jesus venceu o diabo usando a escritura. Ele não argumentou contra o inimigo com nenhuma tática proveniente da filosofia. O diabo é mestre em sofisma, semântica, dialética e tudo mais que o argumento humano possa produzir. Contra ele existe a Palavra de Deus e foi com ela que Jesus nos ensinou a resistir. No livro de Atos o evangelista Lucas elogia os crentes de Beréia diferenciando-os dos tessalonicenses, chamando os Bereanos de mais nobres, pois estes avaliavam se as palavras do apóstolo Paulo estavam de acordo com a escritura sagrada (At. 17.10-11).

Para sermos nobres cristãos devemos ter as experiências pessoais e a voz do coração como secundários diante da palavra revelada. O escritor de Hebreus diz que devemos amadurecer tendo “no exercício da fé a capacidade de discernir o bem e o mal” (Hb. 5.14). O exercício da fé é primordialmente o entendimento e confiança na Bíblia. É manejando bem a palavra que “devemos nos apresentar a Deus” (2Tm. 2.15).

Portanto, devemos pedir ao Senhor que nos guie para sua vontade, nunca deixando de observar o que diz a escritura. A Bíblia diz que devemos provar profecias, que haveremos de julgar o mundo e os anjos (1Cor. 6.13), por isso devemos ponderar tudo à luz da palavra, nas nossas posturas, decisões e direções. Deus nos incline sempre à verdade, Amém!
Pr. Álvaro Júnior

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