Hoje em dia é cada vez mais comum os cristãos viverem a vida da fé por espasmos (êxtase). Num momento, Deus é bom; noutro, deixa de ser e é visto com suspeitas. Num encontro, o Espírito de Deus fala e se manifesta enchendo a alma de esperança e fé; noutro, geralmente na maioria, o Espírito nada faz e muito menos fala. O que é ou não uma “benção” é determinado por conceitos e percepções vagas e sem qualquer fundamento bíblico para a maioria dos cristãos. Daí, a alegria deixa de ser uma virtude e passa a ser uma eventualidade “sentida” num destes espasmos espirituais que experimentamos. Isso me lembra uma história de um jogador de tênis americano da década de 50. Ele era crente e chegou a ganhar o torneio de Wimbledon. Tempos depois, durante uma cirurgia cardíaca, foi infectado com o vírus HIV. Quando recebeu a notícia, ficou indignado. Ele, que era uma pessoa correta, que jamais se envolvera com drogas ou prostituição, agora estava com um vírus que podia dar fim a sua vida. Em sua aflição e indignidade, ele orava e perguntava a Deus: “Por que eu? Por que comigo?” Assim ele permaneceu por algum tempo, até que um dia ouviu uma voz lhe perguntando: “Por que você nunca perguntou “por que eu?” quando ganhou os grandes torneios internacionais, ou enquanto subia nos pódios e ganhava milhares de dólares e os aplausos da multidão?” Naquele momento, o ex-atleta se deu conta de que a ação de Deus em sua vida não podia ser medida pelos momentos em que ele se sentia vitorioso ou abençoado – no final das contas, ou Deus estava presente em tudo ou não estaria presente em nada. “SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. ...Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão”. Salmos 139.
Quando vivemos a vida da fé por espasmos, procurando identificar o que é divino e o que não é, experimentando ocasionalmente os benefícios da graça e suspeitando de Deus nos demais eventos, sem reconhecer sua bondade soberana sobre toda a vida, terminamos por não experimentar a virtude da alegria que depende, sobretudo, da capacidade de reconhecer a presença e o cuidado do Senhor em todos os momentos. John Piper, em seu livro Teologia da alegria, apresenta a soberania de Deus como fundamento para a alegria dele e nossa.
A alegria do Reino de Deus é o fruto da compreensão de que Deus reina. Esta verdade significa que seu amor, poder e justiça conduzem a vida e a história de forma que os eventos que nos entristecem, e são muitos, ou os que nos aborrecem, e que também são muitos, não determinam seu significado. Desta forma, a tristeza não é uma negação da alegria e nem a alegria é uma forma de fugir ou simplificar as tragédias e perdas. Na verdade, a alegria é a forma como vemos e reconhecemos o cuidado e a bondade de Deus sobre o mundo que ele criou. Jesus foi um “homem de dores” e experimentou como ninguém os sofrimentos do mundo; mas ele jamais se viu separado do amor do Pai e sua comunhão nunca foi quebrada. Esta comunhão é a fonte da alegria. Ao confiar na soberania de Deus descansamos em seus braços cuidadosos e experimentamos a alegria no Deus soberano. Que isto seja uma realidade em sua vida. Amém!
Pr. Paulo.
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