A cada dia que passa vemos o crescimento do individualismo, do andar só como sinal de independência, como se fosse possível a sobrevivência sem o compartilhamento da vida como o nosso semelhante.
O ensimesmamento tornou-se a regra, de forma que até nas famílias o egoísmo passou a traduzir-se através de comportamentos que buscam justificar o respeito à individualidade para manutenção de segredos entre casais, vidas duplas entre os cônjuges, quartos com chaves nas portas para os filhos, ou seja, cada compartimento da casa um indivíduo e cada indivíduo um mundo.
Por mais incrível que pareça, esse comportamento desconstrutor da convivência em alteridade adentrou na Igreja com tal pujança, que vemos pessoas que entram e saem da Igreja e não são vistas, seja por não quererem ser vistas, seja por não existirem olhos para vê-las.
Mais grave ainda é a idéia de que não mais é necessário ir à Igreja, pois a “Igreja da Televisão” supre todas as necessidade, pois há palavra, oração, cura e até o dízimo posso mandar por transferência bancária, tudo sem sair de casa, sem o contato físico com pessoas, pois pessoas podem ferir.
Pesquisando, constatamos que o significado da palavra latina Eclesia, “...quer dizer "igreja", atualmente, mas que significou, originalmente, "curral" ou "abrigo de ovelhas". Trata-se de uma palavra muito difundida no Cristianismo, em que os fiéis são chamados de "ovelhas", que são cuidadas pelos "pastores". O conjunto dos cristãos que se reúnem regularmente em uma igreja também é chamado de igreja, assim como o total dos cristãos de uma mesma seita(Wikipedia)”. Concluído-se que Igreja é local de reunião, não cumprindo o sentido de bíblico de pastoreamento a Igreja pela televisão, isso em razão da falta de comunhão.
Ao entregarmos a nossa vida a Jesus, aceitando-o como nosso Senhor e Salvador, fomos enxertados em Seu corpo, que é a Igreja, donde Ele é o cabeça, sendo daí o sentido de uma vida em Cristo.
1- Entregar a vida a Jesus é fazer parte de seu corpo – a Igreja – Ef. 2:13-19; Cl. 1:18- A Grande Comissão (Mt. 18:18-20), no foi dada para que o evangelho fosse levado a toda criatura. Nossa tarefa é ir e pregar, cabendo ao descrente ouvir crer e invocar, quando então Deus, que nos enviou, salva o pecador (Rm. 10).
Necessário, todavia, é observar que a Grande Comissão determina que além de ir e pregar devemos batizar. O batismo é o ato de inclusão do novo convertido ao Corpo de Cristo, e é de grande importância (Mc. 16:16), pois não basta crer, é imperioso pertencer.
Quando somos batizados declaramos que obedecemos a Deus e nos tornamos discípulos de Jesus. Mas se o batismo é um ato de obediência, tal obediência não pode ser considerada como mero formalismo, pois o batismo, como nossa inclusão no Corpo, inicia um passo importante no nosso crescimento espiritual, que é a Comunhão.
Com a morte de Jesus na cruz, fomos reconciliados com Deus, pois o pecado nos havia separado do Pai e também fomos reconciliados uns com os outros: somos agora todos filhos de Deus, não importando se judeu ou gentio (Gl. 3:28), Jesus venceu o pecado e a morte na Cruz do Calvário “e pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef. 1:22,23).
2- O corpo cura o corpo - Ef. 4:15; Tg. 5:14-16, 19-20 – Como um organismo vivo, a Igreja é o local de crescimento de cada cristão, pois é o corpo que edifica o corpo, através dos dons que nos são dados e possibilita o agir do Espírito Santo em cada um de nós, de forma a chegar à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus (Ef. 4:13).
Fomos criados para servirmos uns aos outros, esta é a razão dos dons para a Igreja. Não há razão de ser cheio do Espírito Santo se não for para compartilhar o amor de Deus em nós para a cura e edificação do outro. Você é fonte de bênção, pois não mais há como sair maldição de sua boca, somos comissionados a abençoar, a edificar, a levar cura.
Porém caminhar juntos importa em alguns atritos, muitas vezes não concordamos uns com os outros, algumas vezes vemos o pecado do nosso irmão e nos chocamos, mas a comunhão é um ato pessoal, voluntário e consciente, importa em ir para cruz. Ter comunhão é ato positivo, ou seja, importa em agir e não em deixar acontecer, importa em suportar e perdoar, enfim, amar incondicionalmente ao irmão, como Jesus nos amou (Cl. 3:12-14).
Caminhe junto ao seu irmão que a cura vem! Suporte o seu irmão, que a cura vem! Alegre-se com os que se alegram e chore com os que choram (Rm. 12:15), ao fazermos isso somos curados em nosso orgulho, em nossas dificuldades e somos abençoados e “amontoamos brasas vivas sobre as nossas cabeças”(Rm. 12:20).
3- Comunhão é prova de amor a Deus e ao próximo – Cl. 3:12-16 - Não há maior prova de amor que conviver. Conviver é compartilhar sua vida com o outro, dar-se e permitir-se receber. Quem busca isolar-se não ama (1Jo. 4:20-21), e o amor para nós é um mandamento (Mt. 22:37-39).
O Apóstolo João nos questiona sobre a possibilidade de amar a Deus, a quem não vemos, quando não conseguimos amar ao nosso próximo, a quem vemos. Nós precisamos amar de perto, não apenas de longe.Quando ficar distante se dá por falta de paciência ou de perdão, na verdade não amamos. Percebamos que o oposto de amor é odio e o ódio se manifesta também de forma dissimulada como indiferença. Indiferença é falta de amor.
Lembremos o que diz o Ap Paulo na Carta Pastoral a Timóteo (3:16,17): “Toda escritura é divininamente inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.
Foi Deus, através do Seu Espírito, que inspirou os escritores do texto bíblico, com o objetivo de nos mostrar o caminho correto a seguir, e o mesmo Espírito, em Hb. 10:24,25, nos diz: “consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar, como é costume de alguns; antes façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima”.
Temos a presença de Jesus em nós, pela profissão de fé que fizemos, daí sermos também Templo do Espírito Santo, que é o penhor da herança que nos está reservada (Ef. 1:13,14), entretanto há uma diferença em ter individualmente a presença de Jesus e poder desfrutá-la de forma coletiva e muito mais palpável, o que se dá quando estamos reunidos como Igreja, conforme o Senhor nos disse em Mt. 18:20: “porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”.
Conclusão
Ao entregarmos nosso vida a Jesus somos enxertados em Seu Corpo, a Igreja. Como membros do mesmo corpo, que tem como cabeça Jesus, somos essenciais uns para os outros, dependendo para o crescimento do todo da participação de cada parte e inclusive para sermos curados. Quem ama congrega, tem comunhão, pois não há espaço no coração de quem ama para a indiferença para com o irmão.
Se há algo que devemos clamar é para sermos batizados em amor, para que suspiremos de desejo por estarmos juntos em comunhão, e não nos privemos da graça de Deus através da vida dos nossos irmãos.
Pr. Wolney
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